CARTÃO EUROPEU DE SAÚDE

31 03 2008

Segundo a Lei de Murphy, se existir a ínfima possibilidade de uma coisa correr mal, então correrá mal seguramente.

Esperamos sinceramente que esta lei não se aplique à nossa viagem, mas mais vale estarmos prevenidos.

O Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) pode ser uma boa ajuda no caso de alguém adoecer ou se magoar enquanto está fora do país.

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Em Portugal, este cartão é emitido pela Segurança Social, de forma gratuita, a todos os cidadãos portugueses e permite o acesso ao Sistema Nacional de Saúde do país onde estivermos (dentro da União Europeia e ainda Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) com os mesmos direitos dos cidadãos nacionais desses países, ou seja, receberemos cuidados gratuitos, pagando apenas eventuais taxas moderadoras ou outras despesas aí cobradas. Além dos viajantes, o cartão pode ser usado por quem residir temporariamente no estrangeiro (estudantes, por exemplo).

O cartão dá-nos acesso a tratamentos urgentes e a outros em consequência de um acidente, doença ou maternidade. Só não poderemos utilizá-lo se formos ao estrangeiro para obter um tratamento que, por limitações técnicas ou outras, é inviável em Portugal.

O CESD pode ser pedido nos serviços da Segurança Social e também nas Lojas do Cidadão. Convém fazê-lo uma ou duas semanas antes da viagem e prevê-se que o cartão seja enviado para a nossa morada entre 5 a 15 dias após o pedido.

Caso não queiramos dar-nos a este trabalho, podemos sempre fazer o pedido pela net, através do site da Segurança Social, onde estão todas as informações necessárias ao processo. Evitam-se assim filas de espera e perguntas sem sentido, do tipo “Para que país vai viajar?” quando o cartão tem uma validade de 3 ou 4 anos… Sei lá eu a que países irei nos próximos anos!

Por isso, mesmo que não vão a Caminho de Santiago, tratem lá de pedir este cartão porque só tem vantagens!

bito
31.03.2008





A MARCAÇÃO DO CAMINHO

28 03 2008

Naturalmente, uma das grandes preocupações de quem vai fazer uma viagem, seja ela qual for, é saber qual o caminho para chegar ao seu destino.

Ora, raramente no ponto de origem há uma indicação do local de destino… Em Bencatel não há nenhuma seta a dizer Amareleja, em Lisboa não há nenhuma seta a dizer Pias e, obviamente, nem em Évora nem em Guimarães há uma seta a dizer Santiago de Compostela.

Nas estradas nacionais basta seguir as indicações rodoviárias, mas aqui o caso é bastante diferente.

No caso concreto do Caminho Português do Interior que vamos seguir desde Guimarães até Santiago de Compostela, praticamente sempre no “meio do mato”, preocupa-nos de facto a sinalização e, mais ainda, a ausência dela. Perdermo-nos não é seguramente um dos nossos objectivos mais importantes!

Para além dos mapas, dos guias e dos GPS’s que cada um pode levar consigo, a grande ajuda (assim o esperamos) que encontraremos ao longo do caminho serão as marcações no terreno.

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Inicialmente, o caminho era assinalado pela Vieira de Santiago (Concha de Santiago) que se apresenta sob a forma de elementos de bronze, de cerâmica, de etiquetas, de gravuras, etc., sendo o sentido a seguir indicado pelos “dedos” da vieira, ou seja, o lado aberto da concha indica a direcção de Santiago de Compostela.

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Existe apenas uma vieira na marcação do Caminho em que os “dedos” apontam para baixo, mas neste caso há uma justificação… ela está em Finisterra – o fim do Caminho (e o Fim da Terra).

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Depois, por várias razões, a concha deixou de ser eficaz em termos de sinalização do caminho. Devido à tendência dos peregrinos levarem estes objectos como “recuerdo”, eles foram desaparecendo a pouco e pouco. Por outro lado, depois de o Caminho de Santiago ter sido classificado como Itinerário Cultural do Conselho da Europa, a concha estilizada amarela sobre fundo azul foi assumida como símbolo identificador europeu do Caminho de Santiago. Assim, a concha passou a ter carácter de logotipo oficial, identificando apenas a presença do Caminho de Santiago. Deste modo, este logotipo mantém sempre a mesma posição, deixando agora de indicar qualquer direcção. Esta situação veio causar alguma confusão entre os peregrinos menos avisados, uma vez que os “dedos” da concha podem agora indicar uma direcção bastante diferente daquela que é a verdadeira direcção do Caminho de Santiago.

 

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Atenção a situações como a que agora se apresenta e que podem induzir o peregrino a seguir uma direcção errada.

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As “Flechas Amarillas6seta.jpg principal sinalização do actual Caminho de Santiago, começaram a ser pintadas em 1980 pelo Padre Elías Valiña Sanpedro, Pároco do Cebreiro, a primeira localidade galega do Caminho Francês. Desde então foram-se espalhando por todos os caminhos e actualmente são o meio mais seguro de seguir o Caminho de Santiago sem grandes preocupações. A razão porque as setas são amarelas e não de outra cor tem também uma explicação… mas não pensem já em grandes simbolismos! São amarelas apenas porque começaram por ser pintadas com o resto da tinta de marcação de umas obras na estrada, que os trabalhadores ofereceram ao Padre Elías.

O Caminho Português do Interior começou a ser recuperado em 1992 e actualmente está marcado desde Lisboa e de forma bastante completa no troço final Porto-Ponte de Lima-Valença do Minho. Em território espanhol a sinalização é ainda mais completa e eficiente.

A sinalização dos Caminhos Portugueses de Santiago tem sido feita recorrendo ao sistema convencionado para toda a Europa para identificar de forma simples os itinerários jacobeus e que é a seta amarela pintada em muros, paredes, pavimentos, árvores, postes, etc, em todos os locais onde pudessem ocorrer dúvidas, particularmente nos cruzamentos e bifurcações.

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Estas setas foram depois substituídas no troço galego por uma solução definitiva com marcos de pedra com a distância à Catedral de Santiago, incluindo um azulejo azul com uma vieira amarela posicionada de acordo com o sentido da marcha ou, noutros casos, apenas o mesmo azulejo colado em paredes e muros.

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Em Portugal têm-se mantido as setas amarelas, periodicamente retocadas, constituindo uma solução que, embora provisória, é absolutamente segura. Contudo, está já em curso a fixação definitiva de setas metálicas amarelas em todo o percurso, do Porto até Valença.

Para além da sinalização oficial, encontramos por vezes marcações provisórias, feitas pelos peregrinos, quando há problemas com a sinalização existente (mau tempo, azulejos roubados, a vegetação cresceu por cima das marcas).

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Uma chamada de atenção para as setas azuis que poderão aparecer (que normalmente apontam o sentido contrário) e que são a indicação do Caminho de Fátima, nomeadamente para orientação dos Peregrinos que de Santiago de Compostela se dirigem a Fátima.

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Outro tipo de sianlização que poderemos encontrar são as marcações dos Caminhos de Grand Randonnée (GR), de acordo com o estabelecido pela Federação Francesa de Randonneur (FFR), que em Portugal se designam por Grande Rota e que são percursos pedestres definidos no nosso país pela Federação Portuguesa de Campismo (FPC).

Ao longo do Caminho Português de Santiago, este tipo de sinalização, pode encontrar-se pelo menos entre Rates e Barcelos e entre Ponte de Lima e Valença. É a indicação da GR11-E9, um itinerário que tem origem em S. Petersburgo, na Rússia, atravessa toda a Europa e termina em Portugal na casa de S. Vicente.

Chamamos à atenção para o facto de que os itinerários compostelanos nem sempre são GR e que nem todas as GR são caminhos para Compostela. A GR11-E9 não corresponde integralmente ao traçado do Caminho Português, pois apresenta algumas alternativas pontuais aos troços originais do Caminho de Santiago.

A marcação pode encontrar-se sob a forma de traços pintados sobre árvores, pedras, muros ou de marcações auto-adesivas sobre postes ou ainda sob a forma pequenos painéis acompanhados de textos.

Esta sinalização é constituída por dois traços, um vermelho e um branco, e funciona como se pode ver na imagem apresentada.

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No caso das Pequenas Rotas (PR) o traço branco passa a ser amarelo mas a nomenclatura da sinalização é a mesma.

Actualmente, podem-se encontrar marcações no caminho, quase, a cada 200/250 metros, pelo que se fizermos mais de 500 metros sem ver uma seta amarela ou um marco, muito provavelmente, estaremos perdidos. Resta voltar atrás e recuperar o caminho certo!

Com toda esta informação, pensamos que não haverá grandes problemas para darmos com o caminho certo, mas se restarem dúvidas só temos que perguntar a alguém… pelo Caminho de Santiago todos o peregrinos são irmãos e amigos!

Por isso…
Vá lá Malta… sigamos “las Flechas Amarillas”!

bito
28.03.2008





QUEIXAS

27 03 2008

Alguns amigos meus queixam-se dos meus escritos… Dizem que são muito longos!

São Putos Novos… não sabem apreciar uma boa leitura!
São da geração da televisão… querem tudo facilitado!

Só por causa disso fica já aqui prometido para amanhã um novo post com mais de meio metro de comprimento!

bito
27.03.2008





A RECOLHA DE INFORMAÇÃO

26 03 2008

Em boa verdade, quase todos os sites sobre o Caminho de Santiago nos dão listas de bibliografia recomendada e links para outros sites com mais informação, mas para ser honesto, foram poucos aqueles que nos serviram realmente.

Feita a triagem, acabámos por encontrar meia-dúzia de sites que nos pareceram os mais completos e mais credíveis em termos da informação que precisávamos saber para pôr em marcha este processo.

Os conteúdos variam de site para site, uns mais técnicos e outros mais generalistas, uns mais direccionados para quem vai a pé e outros para quem vai de bicicleta, uns sobre o próprio caminho (leia-se o itinerário) outros sobre os albergues, outros sobre a sua história e outros sobre os preparativos, mas com um pouco de paciência conseguimos encontrar tudo. Depois… basta juntar as peças!

Embora a informação recolhida nos sites seja mais do que suficiente para organizar uma viagem destas, decidimos contactar, via email, algumas das instituições que tinhamos identificado, para lhes explicar o nosso objectivo e ao mesmo tempo pedir algumas informações complementares.

De entre as simpáticas respostas que tivemos, destacamos o contacto feito com o Serviço Xacobeo da Xunta de Galicia, que gentilmente nos enviou pelo correio e de forma inteiramente gratuita uma série de guias e desdobráveis com todo o tipo de informação necessária a quem, como nós, vai a Caminho de Santiago.

Aqui vos mostramos alguns deles…

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Relativamente aos sites que nos serviram de base à preparação da viagem, são espanhois (como é natural) mas também alguns portugueses bastante bons.

Aqui ficam os seus links:

Em Espanhol (Galego e/ou Castelhano)
Xacobeo
Amigos del Camino Portugués a Santiago
Federación Española de Asociaciones de Amigos del Camino de Santiago
Acreditación Jacobea Universitaria
Bicigrino

Em Português
Centro de Estudos Galegos – Universidade Nova de Lisboa
Associação Espaço Jacobeus
Albergue S. Pedro de Rates
Caminho Português de Santiago
O Caminho Português de Santiago

bito
26.03.2008





211 Km DE PEDAL

18 03 2008

Como já aqui ficou dito, o “nosso” caminho vai ser o Caminho Português do Interior, partindo de Guimarães e acabando, obviamente, em Santiago de Compostela.

    

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Serão 211 km a pedalar até chegarmos a Santiago de Compostela (segundo dados da Associação Espaços Jacobeus).

A razão porque faremos estes 211 km tem a ver com o limite de km mínimo para que a peregrinação seja considerada como tal e para que seja “validada” com a atribuição da Compostela à chegada a Santiago. De facto, a Compostela será apenas atrubuída a quem tiver feito, pelo menos, 100 km a pé ou a cavalo, ou 200 km de bicicleta (que será o nosso caso). A escolha de Guimarães para ponto de partida ficou assim a dever-se ao facto de esta ser a cidade do Caminho Português do Interior mais perto do marco dos 200 km.

Nestes casos, é bastante aconselhável fazer um plano de viagem, embora se saiba que, na prática, este plano nos servirá apenas como referêcia orientadora.
A única certeza que temos é a de que há 211 km entre a primeira pedalada e a chegada a Santiago.
Matematicamente, seriam cerca de 70 km por dia… começar de manhã cedo, fazer 35 km, parar, descansar, almoçar, fazer mais 35 km de tarde, descansar, jantar e dormir, e isto durante 3 dias. Vistas as coisas assim, até nem parece nada de extraordinário… A realidade será seguramente outra, mas desta aventura depois vos daremos contas!

Naturalmente, no primeiro dia estaremos todos mais “frescos” e a ideia é fazer bem mais do que os 70 km, tentando chegar o mais perto possível de Caminha/Tui (fronteira Portugal-Espanha) com pouco menos de metade do caminho feito. Nos dois dias restantes faremos o que resta do caminho tentando chegar a Santiago ainda durante o meio da tarde do terceiro dia.

Mas isto são apenas os nossos planos porque, no fundo, tudo dependerá do terreno e do tempo que encontrarmos e principalmente… das pernas dos artistas!

Nota: Sobre a Compostela falaremos num próximo post a publicar brevemente.

bito
18.03.2008





A HISTÓRIA DO CAMINHO

18 03 2008

Segundo a lenda católica, após a dispersão dos Apóstolos pelo mundo, Santiago foi pregar em regiões longínquas, passando algum tempo em Espanha, na Galiza. Quando voltou à Palestina, no ano 44, foi preso e decapitado, a mando de Herodes Agrippa I, filho de Aristobulus e neto de Herodes o Grande. Dois de seus discípulos, Teodoro e Atanásio, roubaram o corpo do mestre e embarcaram-no (num barco com tripulação angélica) e em sete dias chegaram à Galiza e a Iria Flávia onde o sepultaram, secretamente, num bosque de nome Libredón.

Não há certezas quanto à data da descoberta do sepulcro apostólico, mas a maioria das fontes católicas apontam datas entre 813 e 820. A lenda conta que um ermitão do bosque de Libredón, de nome Pelágio (ou Pelaio), observou durante algumas noites seguidas uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo e dos seus discípulos.

No “Campus Stellae” – de onde se crê provir a palavra Compostela – foi erigida uma capela para proteger a tumba do apóstolo que se tornou um símbolo da resistência cristã aos ataques dos mouros. A partir do ano 1000 as peregrinações a Santiago popularizam-se, tornando-se a cidade num dos principais centros de peregrinação cristã (a par de Roma e Jerusalém); é também nesta altura que surgem os primeiros relatos de peregrinos que viajaram a Compostela.

No século XII é publicado o primeiro guia do peregrino (do Caminho Francês) – o Códice Calixtino (ou Liber Sancti Jacobi) atribuído ao Papa Calixto II, que proclama ainda que quando o dia do Santo (25 de Julho) é num Domingo, esse é um Ano Santo Jacobeu (com especiais bênçãos e privilégios espirituais para os peregrinos). Grupos de peregrinos começam a chegar de toda a Europa, desenvolvendo as cidades por onde passam, sendo o Caminho Francês o mais utilizado.

O Caminho de Santiago, tal como relatado no Códice Calixtino, é em terra o desenho da Via Láctea, porque esta rota se situa directamente sob a Via Láctea que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas seja um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão.

Existem vários Caminhos que percorrem toda a Europa e que desembocam em Santiago de Compostela, sendo que o mais famoso é sem dúvida o chamado Caminho Francês que atravessa a Fronteira Franco-Espanhola nos Pirinéus e atravessa todo o norte de Espanha.

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Mapa dos Caminhos de Santiago na Europa Medieval

  

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Mapa dos Caminhos Portugueses de Santiago na Idade Média

    

Fonte: Site do Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa

bito
18.03.2008





O INÍCIO DO PROCESSO

14 03 2008

Obviamente, o primeiro passo para os preparativos deu-se neste mundo infinito que é a net…

Experimentem só a colocar no Google ou noutro motor de busca qualquer as palavras “Caminho de Santiago” ou alguma coisa parecida!
São milhares as entradas que aparecem… e se a falta de informação é um problema, o excesso dela é igualmente um problema sério.

A pouco e pouco vamos percebendo como funcionam as coisas e qual é a dimensão deste fenómeno que é o Caminho de Santiago… acreditem que é gigantesca!

De facto, sobre o Caminho de Santiago há muita informação, mas quando o que se procura é o Caminho Português então os sites interessantes são realmente muito poucos. Filtrar o que é importante e deixar cair o que não interessa custou umas largas horas em frente ao computador.

As informações que podemos encontrar e de que devemos tomar boa nota passam por de onde partir, quantos km fazer, os caminhos a seguir, a marcação/sinalização do caminho, onde dormir, onde receber apoio médico (esperemos que não venha a ser necessário), como conseguir uma credencial de peregrino para ter acesso aos albergues e ao apoio médico, cuidados a ter no caminho, como fazer a preparação física e espiritual, como validar a peregrinação em Santiago de Compostela, e isto apenas para referir os pontos fundamentais a ter em conta.

Por isso, se querem fazer o Caminho de Santiago, vão-se informando sobre tudo isto porque vão ver que vos vai facilitar muito a vida. Se não estão para se dar a esse trabalho todo… vão lendo o nosso blog porque, ponto a ponto, aqui vai ficar tudo explicado em pormenor!

bito
14.03.2008